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10 de mar de 2013

Vantagens do esquecimento


Em certas criaturas é visível a rejeição que fazem para aceitar
as coisas novas que vão surgindo em sua trajetória vivencial. A
Natureza em nós é força de progresso, e os homens evoluem
sempre, não porém ao mesmo tempo e da mesma forma, mas
naturalmente, obedecendo ao seu próprio ritmo.
O nível de saúde mental é medido a partir do grau de
adaptação da criatura ao fluxo das novas ideias que aparecem de
tempos em tempos, como fatores de progresso das almas.
No entanto, certas pessoas se orgulham ao proclamar-se
conservadoras, esquecendo-se de que o “comodista”, por medo ou
estagnação, perde sua liberdade por não querer correr o risco de sair do lugar-comum.
Estão sempre lembrando uma época de felicidade, suspirando
por sonhos antigos que não se realizaram, revivendo o passado,
repisando as suas e as opiniões erradas dos outros e justificando-se
agarradas às lembranças de vidas passadas.
Vivem presas nos “ecos do pretérito”, sem produtividade, sem
retirar benefício algum da observação dos fatos, por não saber integrar passado e presente.
Se demonstrassem algum interesse para com uma só experiência
nova, talvez promovessem mudanças lucrativas em seus
padrões mentais. Passam por diversas experiências, não aprendendo uma única lição sequer.
A cada etapa da existência, acumulamos valores intelectuais
e emocionais que nos diferenciam sensivelmente de como éramos
há pouco tempo. Sempre nos são dadas constantes oportunidades
de modificação e melhores concepções de vida, estimuladas pelas
circunstâncias vivenciadas nas múltiplas experiências reencarnatórias que tivemos.
Por que, então, não deixar o passado passar?
Ficamos retidos a ideias e conceitos que nos foram válidos
em determinadas épocas de nossa vida; atualmente, porém,
é preciso renovação e libertação dos ranços do pretérito em favor de
um presente atuante e vantajoso.
Quando escutamos a formulação de ideias novas, tomamo-las
por velhas ideias ou pensamos que podem ser interpretadas ou
explicadas com o auxílio dos velhos conceitos. Estamos de tal
maneira arraigados ao passado que deixamos de crer que possam
existir novas maneiras de ver e interpretar.
“Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha,
porque tiraria a consistência da roupa e o rasgão ficaria pior”, (1)
observou Jesus Cristo aos que, diante dos novos ensinamentos dos
quais Ele era portador, ainda permaneciam enraizados aos costumes
e práticas farisaicas, que impediam os impulsos de amadurecimento das almas.
“Se Deus julgou conveniente lançar um véu sobre o passado, é porque isso devia ser útil”.
O momento presente é o ideal para o nosso progresso, e nós
só podemos “sentir o aqui e o agora”, pois tentar sentir o ontem é
“ressentir”; por consequência, nem sempre são válidas e autênticas
nossas emoções do ontem para avaliação do nosso tempo presente.
Essencialmente, a voz da consciência e as nossas tendências
instintivas são os melhores meios de ação, conforme nos indica o texto em estudo.
Cada dia é uma nova oportunidade para nos desvencilharmos
de velhos conceitos, ideias fixas e reflexões obsoletas.
Aproveitemos, portanto, a “vantagem do esquecimento”, que nos
concede a Divina Providência, para transformarmos nossa presente
encarnação em fonte de novos suprimentos destinados a tornar mais felizes as encarnações futuras.
 
(1) Mateus 9:16.
 
 
 
Do livro ‘’RENOVANDO ATITUDES’’ – Hammed/Francisco do Espírito Santo Neto.

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